segunda-feira, 4 de maio de 2009



VIBRAÇÃO POSITIVA
Reza a lenda que numa ilha do Caribe, América do Centro, exatamente num país chamado Jamaica havia um ritmo agitado, o ska e que balançava as pessoas. Num certo verão, lá no final dos anos sessenta, uma forte onda de calor desacelerou o ritmo pela metade da batida, surgindo assim o que conhecemos por reggae. Fantasias ou brincadeiras à parte, daquela ex-colônia britânica cuja riqueza (muito mal distribuída, para variar), edificada pelo cultivo da cana-de-açúcar plantada por africanos escravizados. Do canto desses trabalhadores forçados, na evolução do mento, ritmo muito popular até a metade do século passado e adicionado aos rythym & blues captados das rádios do Panamá e da Flórida, veio a formatação do reggae, aliada a um africanismo crescente embasado na doutrina rasta, que cultuava a pessoa do Imperador da Etiópia Hailé Sellassie I, ou Ras Tafari (ras é um título de nobreza.), considerado na teocracia etíope o representante de Jah (ou o Deus das religiões abraâmicas).O grande símbolo desse movimento foi Robert (Bob) Nesta Marley (1945-1981). Filho de um militar branco do exército inglês e de uma negra jamaicana, Marley cresceu no favelão de Trenchtown, e de lá para o mundo, como integrante dos Wailers,ao lado de Peter Tosh (também falecido) e Bunny Wailer. Marley assumia uma posição de difusor do pensamento rastafari como exemplo de resistência e fé religiosa ao mesmo tempo em que estimulava a libertação do jugo da Babilônia colonialista,o grande motor de uma vida materialista cujo único sentido é a dominação pelas coisas ao invés do oposto. E tudo esse discurso flutuando numa poderosa e hipnótica música. O beat do reggae impulsionado sobretudo pelo contrabaixo, bumbo da bateria e o contratempo da guitarra, reproduz os batimentos cardíacos de um a pessoa relaxada (em torno de 60 batidas por minuto). O internacionalismo reggae motivou a juventude do terceiro mundo, que se identificou com o discurso libertário de BM, e aportou avassaladoramente no Reino Unido, onde existe um numeroso número de imigrantes caribenhos e seus descendentes. É conhecida por todos a coligação punk/reggae e seus frutos (The Clash,Police, entre muitos), enlaçados pelos conflitos de classe e autodefesa contra a truculência dos direitistas de plantão, leia-se skinheads ou a mão pesada do Estado.Passados todos esses anos,a música reggae fragmentou-se e com a porção de “raiz” (roots) ficou o encargo de nutrir a chama e o som de um sonoro “não” ainda que pacífico e tolerante. Aqui no Brasil e em outros países periféricos,o reggae foi naturalmente absorvido sem traumas pela música brasileira, mesmo que alguns seriosos acadêmicos a considerassem “simples demais” no minimalismo dos seus três acordes. Paciência. Alguém sempre apostará na música pela música...Como arte aplicada,a grande mensagem do reggae foi inocular nos corações e mentes a possibilidade de uma vida mais simples e solidária,valorizando a paz, o amor e a justiça.
"Vocês riem de mim por eu ser diferente, e eu rio de vocês por serem todos iguais”
GIRASSÓIS NUM CAMPO MINADO


Desconfio sempre
dessa euforia de fim do mundo
tem cara corpo e jeito de desespero
carnaval careta
sem uma pitada de cinzas
nem feijão-fradinho


tranque o acesso,
baby,
não estamos a sós na caravana
e o que tem lá fora?
e o que tem lá fora,
além das parabólicas e dos urubus?

vi dona esperança
lavando roupa sujana máquina
vi um campo minado
e seus girassóis
vi a chuva doce que vem
uma benção sobre nós
vi co’os olhos fechados de um sonho

alguém na madrugada
cantando um samba sereno

mas se você não sabe brincar,
menina
não brinque
se você não sabe brincar,
menina
não desça pro play!

Luiz Ribeiro
Avyadores do Brazyl

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