quinta-feira, 14 de maio de 2009





A todos vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,

como quem num banquete
ergue a taça e celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.

Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.


Em todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.
Memória!

Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.


De corpo a corpo verta a alegria.
esta noite ficará na História.

Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.

(tradução: Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman)

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