segunda-feira, 4 de maio de 2009




















Editorial
Impossível ficar alheio, mesmo se não abrir o jornal, não ligar a tv, não acessar a internet, a notícia vem. Doía menos nos livros de História, nas figuras desenhadas, nos filmes de bang-bang, no seriado do século passado, nas palavras acadêmicas.Doía menos quando a porta das imagens era estreita e o pensamento não atinava o que era a dor humana. Doía menos quando paz e amor era o símbolo de um futuro em que se acreditava na Era de Aquários. Não importa se somos contra ou a favor, não importa a indignação e ódio. Tudo apenas é. E passará. E dizer “ pra lá de Bagdá”, não é mais brincadeira, talvez amanhã, Bagdá ( ou hoje) não exista mais. Quem soltou o gênio do mal? Não há magia nisso, muito menos poesia. Sem lendas o Homem procura ainda tesouros nas entranhas da Terra, quando a riqueza é a própria Serenidade, essa tão difícil conquista diária. E só resta esperar, amenizando a sensação de impotência com um poema.
Jurema Barreto


poeta de Santo andré-SP


BEM SEI
SER SOL
QUANDO
TUDO EM MIM
ANOITECE.
Zhô Bertholini



A Arte da Palavra

nesta questão fulinaíma
não há rima que nos separe
poesia ou coisa alguma
que o teu olho aqui repare
palavra arte que assumes
amor suor
ou
faca de dois gumes.
Artur Gomes



Quanto,
quanto, entre noites
melancólicas,
ruas sem saída,
dia após dia piorando a ferida
aberta,
custou-me,
nuvens perdidas, passeios só,
suor a contra gosto,
frio,
no fundo do poço,
na vida, catarata
cobrindo o corpotodo,
contas sem pagar, falta de ar,
febre amarela, febre do rato,
tifóide,deixando de lado
o amor, sopro
cosmo humano,
disenteria,
erros calculados,
a poesia?
Fabiano Calixto




a vinda
dos clamores do mundo submerso
disparo contra a lua
sou por acaso
excentricidade em vida
que sai do mundo externo
emergindo num mundo interno
de dores
lágrimase até avessas
recuo e sigo
pensando sempre da onde vim
e para onde estou indo
num exílio antiqüíssimo
em busca do instinto nato
de ser mulher
e percorro e corro
na busca
como um ser que não encontra os afin
se permanece em silêncio
Adriana Zapparoli


Ser meu ser

Quero meu karma completo.
Quero meu corpo repleto.
Corpo que me carrega
por toda minha existência.

Minha resistência.
Quero isso, sem compromisso.
Ainda que pra isso,
tenha que ter mais um dia de fome
mais uma noite insone
menos uma célula viva
menos uma gota d’água
menos uma molécula de ar.
E mais uma idéia na mente,
mais um passo adiante.
E a certeza de ser
não só mais um,
mas um só. Incessantemente.
Presente na solidão,
não de poder ser só,
mas só de podersó ser.
Só assim poderei ser sempre meu ser.
Afrânio Gouveia



É COM VOCÊS, ESCRITORES

Não sei se todos estão acompanhando. Uma nova lei, que substitui a Rouanet (mas não acaba com ela, ao contrário do que os barões da cultura dizem) vai ser enviada ao Congresso Nacional. Para votação. A pressão contrária vai ser brutal. Por quê? Há muita grana envolvida na parada. E os barões da cultura e as grandes empresas não querem perder a mamata de fazer marketing privado com dinheiro público.

A nova lei propõe a incrementação do Fundo Nacional de Cultura. Na minha opinião, é um mecanismo que vai favorecer os independentes. E os barões da cultura não querem isso. O texto da nova lei está disponível para consulta pública no site do Ministério da Cultura. Todo mundo pode opinar (de preferência, com propriedade, sabendo o que está falando).

No nosso caso, dos ESCRITORES, ainda há uma distorção. Continuam nos colocando no guarda-chuva do “Livro e Leitura”. Eu cansei de falar contra isso nas reuniões que participei. Uma bosta isso. Livro é livro, é o produto. Literatura é o que vem antes: a arte literária. Livro é o produto industrial das editoras. Literatura pode se manifestar em outras formas: revistas, sites, cds, cds-rom, jornadas literárias, encontros de escritores com leitores, enfim, uma infinidade de outras coisas que não se resumem ao livro.

A nova lei cria o Fundo Setorial das Artes que inclui, repare bem, teatro, circo, dança, artes visuais e música. Reparou? Literatura não está incluída aí, como arte. Eu estou cansado de bater na mesma tecla. Estou também sem tempo (preciso batalhar minha própria sobrevivência). Mas sugiro que todos os escritores que ainda têm alguma consciência façam uma coisa simples: entrem no site no Minc, sigam ao link da consulta pública da nova lei e exigam que a literatura seja considerada como uma arte. Que ela saia do guarda-chuva “livro e leitura” e passe para o Fundo Setorial das Artes. Só assim, a criação literária poderá receber recursos públicos, justos, através de editais públicos, e não sob a (má) vontade de um gerente de marketing de uma grande empresa (que nunca está interessado num projeto literário).
Depois, não adianta espernear quando barões da cultura surgirem com projetos mirabolantes. A oportunidade é agora. Se mexam. Todos os outros setores estão se mexendo. O link do Ministério da Cultura é esse aqui: http://www.cultura.gov.br/site/

À direta no site você vai ver de forma bem visível: Reforma da Lei Rouanet. É ali.


Ademir Assunção
poeta e jornalista - são paulo-sp

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