terça-feira, 5 de maio de 2009



Conversa Afinada

Hoje 23:40h conversa afinada com Zeca Baleiro, na TV Brasil. Alguém viu a Mocidade Independente de Padre Olivácio, A Escola de Samba Oculta no Inconsciente Coletivo, no Carnaval fora de época de Campos? Há quem diga que eu dormi de toca que eu perdi a boca e que não vi saída. Há quem diga que eu não sei de nada que eu marquei bobeira e que Durango Kid quase me pegou. Saudades do Sérgio Sampaio.
Moacy Cirne,visitem e divirtam-se: http://www.germinaliteratura.com.br/mcirne.htm Conheça o novo livro e um pouco mais sobre o mestre Moacy Cirne Por Marko Ajdaric, responsável pelo Neorama.

Moacy Cirne, o maior escritor de livros sobre quadrinhos do Brasil dos anos 1970, autor dos primeiros livros verdadeiramente clássicos sobre o tema no Brasil, lançou, em Caicó, sua terra Natal, o livro A Invenção de Caicó. A edição, da casa mais tradicional de apoio ao livro potiguar, o Sebo Vermelho, faz parte das comemorações deste ano em torno da padroeira da cidade, Santana, evento que reúne caicoenses dispersos por todo o Brasil. A idéia do livro foi um desafio do editor e sebista Abmael Silva - o homem que comanda o Sebo Vermelho - que, em janeiro passado, propôs a Moacy que escrevesse sobre Caicó para a série de 10 livros que pretende editar sobre municípios do RN. Aproveitando, vamos contar um pouco do que Moacy representou para a história do quadrinho nacional - deixamos aos poetas a tarefa de escrever o verdadeiro ímã que mestre Cirne foi para a poesia nacional de vanguarda dos anos 1960 e 1970 e aos críticos de literatura falar de sua obra de poeta e contista. Em décadas passadas, era difícil falar abertamente de política, sexo, drogas ou diversão plural. A grande saída para ter um assunto que os militares não entendiam muito e que pudesse fazer enxergar as coisas além do imediato era os quadrinhos. Com seus livros A Explosão Criativa dos Quadrinhos, Para Ler os Quadrinhos e A Linguagem dos Quadrinhos, além de seus muitos artigos na Revista de Cultura Vozes, mestre Moacy Cirne ensinou - vertendo para nossa realidade o que havia de mais enriquecedor como instrumental nas ciências sociais a nível mundial até os anos 1970 - a dar o devido valor ao Mauricio (de Sousa), a resgatar o carinho devido à Turma do Pererê e, principalmente, entender o caminho por onde pensar que um país menos opressivo poderia ser construído. Sempre contando com a amizade e o estímulo recíproco de Álvaro de Moya. Cirne ainda publicou, entre outros, Uma Introdução Política aos Quadrinhos, em 1982 e o vencedor do HQ MIX de 2002 na categoria livro teórico: Quadrinhos, Sedução e Paixão, e Literatura em Quadrinhos no Brasil, em 2003.

Não esquecendo que Moacy Cirne foi professor de semiótica na UFF - Universidade Federal Fluminense, na qual, segundo contam, suas idéias sempre fizeram a cabeça dos alunos ir bastante além das escolinhas de Frankfurt... As informações são da Tribuna do Norte, de Natal.

as flores mallarmaicas


queria num poema
oferecer flores
um jeito lógico
de não arrancá-las
da placidez silvestre !


como as flores
da adivinha mallarmaica ¿
que nunca estão no buquê¿
e cujo aroma experimentamos
nas planícies viageiras do significado


a palavra pétala
entre húmus e caules de linguagem
embriagando a dor extraída
deste pólen
com o qual enlouqueço
as abelhas africanas do esquecimento
mas tudo que tenho
são essas mãos vazias
e uma paixão petrarquiana
de insuportável hálito modernista

Lau Siqueira
http://lausiqueira.blogger.com.br/

OS CÃES DETETIVES
(Rodrigo Garcia Lopes, inédito)

Os cães detetives
em seus capotes negros
nunca desistem
--farejam dunas, em dupla,
pegam a praia de surpresa
siris telepatas


os cães detetives
mordem a neblina da maresia
investigam
gaivotas suicidas
pesqueiros sinistros
matas que meditam
o mar e seu mantra
o estrondo das ondas
sempre outras
elucidam minhas
pegadas na areia
ondas terroristas
surfistas suspeitos
outros cães
por toda a tarde
em busca de pistas


os cães detetives espreitam
o bege sílex das dunas
a queda kamikaze, vertical,
dos mergulhões
e nunca se deixam enganar
são cães detetives caiçaras
soltam pistas que as ondas ocultam
quando explodem


cães sem dono, detetives,
dão seu batente na praia
e sabem ser sacanas também
latindo seus enigmas
pressionando vítimas
ocultos pela restinga
ou disfarçados de humanos


os cães detetives se colocam
na pele de sua presa
e não desistem dos siris
acham seus álibis
nos lábios das ondas
única evidência
a praia e seu colar de pérolas


o mar é testemunha
também se divertem
com o vento sul
orelhas
entre as patas
olhos cerrados de espera
quando do dia retraçam as pegadas
os cães negros detectam
a verdade, peixe podre,
se levantam e seguem
até que a tarde se entregue.

Rodrigo Garcia Lopes.

http://estudiorealidade.blogspot.com/

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