domingo, 31 de maio de 2009


Descarto-me da tronga, que me chupa,
Corro por um conchego todo o mapa,
O ar da feia me arrebata a capa,
O gadanho da limpa até a garupa.
Busco uma freira, que me desemtupa
A via, que o desuso às vezes tapa,
Topo-a, topando-a todo o bolo rapa,
Que as cartas lhe dão sempre com chalupa.
Que hei de fazer, se sou de boa cepa,
E na hora de ver repleta a tripa,
Darei por quem mo vase toda Europa?
Amigo, quem se alimpa da carepa,
Ou sofre uma muchacha, que o dissipa,
Ou faz da mão sua cachopa.
Gregório de Matos

XXI FECAM – Algumas Considerações

Leiam texto, letras de canções, premiadas e algumas fotos do XXI FECAM Festival da Canção de Cardoso Moreira, no blog Nação Goytacá http://goytacity.blogspot.com/ breve vídeo com a canção Nó do Tempo, de Cris Dalana na página http://youtube.com/fulinaima
Mataram a Poesia Artur Gumes
jura que não foi ele

Matilha

como cães sem dono
mordemos as madrugadas
catando restos de poesia
que restaram
das noites
e dos dias


com a boca no trombone
a língua na ferida
os ratos já estão
fora dos esgotos
e atentam contra a vida

esta cidade fede
a podridão
mata mais
que gripe suína

mendigos
vivem de esmolas
nas calçadas
nas esquinas

cadê bolsa família
bolsa emprego
bolsa escola
?

os milhões escorrem
para outras Bolsas
disfarçadas em programas de sacola
(matilha: coletivo de cães, lobos, hienas famintos de arte e justiça)
Artur Gomes
http://youtube.com/fulinaima

FRATURA EXPOSTA

IV
a poeta late mais que morde
arde faz alarde fere maltrata
o tiro nunca sai pela culatra
o veneno dribla o único acorde

VI
a poeta metralhou meu coração
no meio o seu não e o meu fim
tem o lírico cemitério do bonfim
a mais concreta avenida são João

X
a poeta respirou na minha nuca
a cartomante sorriu e gargalhou
o único crime é ser superficial
a desumanidade do amor deixa vestígios

XII
a poeta descansa os pés no peito ébrio
infeliz incursão por baixo da superfície
explosão de vozes versos e pequenas mortes
feridas silenciosas no cemitério dos pulmões

XIII
a poeta atravessou o impulso lúdico do artista
rincão do universo cintilante que se derrama
em um sem número de loucos e outonos tristes
as estacas do limite foram todas arrancadas

XVI
a poeta cortou o pulso no caco do poema
flor sangrenta de sua máquina de pensar
oceanos de nuvens cachoeiras de dilúvios
cartas para amar e não ter mais saudades

XXI
a poeta envenenou a minha existência
como uma criança roubou a minha alegria
o meu desespero é a infância de minha arte
este poema é o primogênito da minha desgraça

XXVII
a poeta tem olhos de poemas nunca lidos
é a primeira primata expulsa da costela
é uma pancada na cabeça de um dinossauro
é um arranhão distraído no breu das horas

XLVII
a poeta tem a palavra derradeira
laudas amassadas, dores encardidas
sua alma é formada por labirintos
a poesia é seu abismo consistente

JOVINO MACHADO

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