sexta-feira, 15 de maio de 2009























sopra
um vento
forte
às margens
do Paraíba
vem do sul
ou vem do norte
dou a minha cara
a tapa
se
não vem da lapa
do convento
de nossa senhora
dos enterros
das barbas
do ururau
enchente
dos afogados
toneladas de peixes
mortos
em noites
de carnaval
e bois
que nem sabem
o destino
mesmo dentro
do matadouro
não sabem
de pai João
nunca viram
mãe Maria
só sabem
o que o outro
dizia
sendo verdade
a mentira
nunca ouviram
João Nogueira
muito menos
Pixinguinha
nem Paulinho da Viola
pois essa música
não dá grana
nem voto
nas eleições
pelo contrário
essa música
desperta o povo
calado
lhe ensina
a falar grosso
saber que no tutano
tem osso
que a língua
é ferramenta
pro alvoroço
faca
afiada no pescoço
na jugular
de qualquer vento


mas sopra
um vento forte
às margens
do paraíba
vem do sul
ou vem do norte
do leste
centro
ou oeste
na ganância
cabra da peste
dou a minha
cara a tapa
se esse vento
não vem da lapa
montado
em cavalos
alegóricos
em santos
de romaria
até em cordeiros
das índias
como se
o primeiro de maio
fosse dois fevereiro
e a Mocidade
de Padre Olívácio
não fosse
oculta independente
no inconsciente coletivo
e o povo que é muito vivo
sacou
a história da grana
e as barganhas
do vendaval
e foi aí que
o Santo Guerreiro
Ogum de samba
e terreiro
triturou o Ururau.

Artur Gomes
Sociedade dos Blogueiros Desocupados
http://goytacity.blogspot.com/


















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